CANTOS DE NINAR, CANTIGAS DE ACORDAR

 

Conceição Evaristo – UFF*

 

 

Encontra-se no corpusda Literatura Brasileira uma produção literária marcada por uma poética que nina, acaricia e alimenta a identidade do povo afro-descendente. E uma escrita repleta de orgulho étnico, que surge transgredindo o sentido da história oficial e busca imprimir uma nova autoria a um texto, onde anteriormente só se lia a letra do dominador. A reconstrução dahistória dá-se então pela palavra poética que, retomando o passado, marcando o presente e sonhando com tal força o futuro, faz com que cada palavra emitida em verso ou prosa se transforme em monumentos erigidos à trajetória do negro pelo Brasil e pelo mundo.

Dois textos exemplificadores desse fazer poético são os poemas “Mahin Amanhã” de Miriam Alves em Cadernos Negros Melhores Poemas e“História para ninar Cassul-Buanga,” em Incursões sobre a Pele, de Nei Lopes.

A historiografia, muitas vezes, deliberadamente promove o esquecimento dos eventos relativos à história do negro brasileiro. A saga Palmarina que durou 100 anos e outras organizações quilombolas, assim como várias revoltas populares não são bem tratadas pelo discurso histórico oficial. Mulheres como Dandara, Aqualtume, Luiza Mahin e outras não são referenciadas pelo registro histórico, um silenciamento ainda paira sobre a história dos afro-descendentes.

No poema “Mahin Amanhã”, Miriam Alves nos traz a heroína da Revolta dos Malês, insurreição negra passada na Bahia, em 1835. A mãe de Luís Gama é homenageada no poema que narra esse episódio.

O primeiro contra-discurso que o poema traz é a descrição de várias etnias colocadas lado a lado no momento da Revolta. A história oficial prima por informar sobre uma discórdia estrutural entre os negros, mas os relatos orais dão conta de uma outra realidade, que a Revolta dos Malês confirma.

Muniz Sodré vê a participação de diferentes etnias na Revolta dos Malês como um dado enfraquecedor do discurso oficial que insiste em enfatizar os conflitos, as disputas entre os negros escravizados pertencentes a vários grupos étnicos e ainda as dificuldades de convivência entre os negros e mulatos já nascidos aqui.

Em “Mahin Amanhã”, etnias diferentes se colam, se fundem e juntas marcham. Uma mensagem única, a da revolta, se multiplica informando e formando o desejo contagiante de liberdade. “E aminhã, aminhã”, o recado conspira de boca em boca, o “correio nagô” espalha a mensagem.

 

Mahim Amanhã

 

 

Ouve-se nos cantos a conspiração

 

Vozes baixas sussurram frases precisas

 

Escorre nos becos a lâmina das adagas

 

Multidão tropeça nas pedras

 

                                                                Revolta

 

Há revoadas de pássaros

 

                                                Sussurro, sussurro:

 

"- é amanhã, é amanhã.

 

                                                Mahin falou, é amanhã”

 

A cidade toda se prepara

 

                                Malês

 

                                                Bantus

 

                                                                Geges

 

                                                                Nagôs

 

vestes coloridas resguardam esperanças

 

                                                                aguardam a luta.

 

Arma-se a grande derrubada branca

 

A luta é tramada na língua dos Orixás

 

"- é aminhã, aminhã

 

sussurram

 

                                Malês

 

                                                Geges

 

                                                                Bantus

 

                                                                Nagôs

 

"é aminhã, Luiza Mahin Falo”

 

Assim como se fundem etnias, a fusão e colagem dos vocábulos “Mahin” e “amanhã” criam efeitos sonoros e semelhanças com a linguagem e particularidades da expressão negra.

“Mahin Amanhã” é um poema que se apresenta como um locus deinscrição da história dos dominados.História tramada e narrada em uma língua própria, a língua ancestral, que aglutina e propaga o segredo entre todos: “a luta é tramada na língua dos Orixás”.

Assim como o texto "Mahin Amanhã”, de Mirian Alves se apresenta como um local de escrita da história dos dominados, o poema de Nei Lopes, "História para Ninar Cassul- Buanga” traz a mesma referencialidade.

Said (1995) comentando a obra de Salman Rushdie, Midnigh’s Children, observa que esse é um texto marcado por um esforço consciente, que o Oriente faz para misturar o seu discurso com o discurso da Europa, do Ocidente. Fazer com que “as histórias marginalizadas, suprimidas ou esquecidas” (274) sejam reconhecidas pela Europa.

"Esse tipo de trabalho, completa Said, foi levado a cabo por dezenas de estudiosos, críticos e intelectuais nomundo periférico; chamo esse esforço de viagem para dentro.” (274, grifos no original). Ao lermos o poema História para Ninar Cassul-Buanga, identificamos a escrita que Said chama de “viagem para dentro”. E muitas outras viagens podem ser lidas no poema. Uma primeira, “a viagem para dentro”, o esforço, a escolha consciente feita pelo poeta de escrever a “história marginalizada, suprimida, esquecida”, repetindo ainda os termos de Said. Uma segunda viagem é a travessia da África para a diáspora contada no poema, ofato em si, a matéria discursiva que está sendo narrada. A terceira viagem é aquela que o poeta faz por meio de sua memória, é introspecção no território de suas lembranças. Uma quarta viagem é a travessia que ele executa, ao chamar, ao dirigir ao seu ouvinte, o menino “Cassul-Buanga”, oferecendo-lhe o produto de seu esforço, o resultado de seu trabalho rememorativo.

“História para Ninar Cassul-Buanga” é um texto em que seu criador, já nas primeiras linhas, dialoga com a tradição africana em que contar/cantar são artes conjuntas. O poeta pede “acompanhamento de marimbas”.

Ao começar fica também marcado que o contador tem um público simbolizado por Cassul-Buanga. No primeiro verso o vocativo — “Cassul-Buanga” indica a interação do "griot moderno” com o seu interlocutor virtual. É um público conhecido, pois o contador o nomeia. O nome evocado é “Cassul-Buanga”.

O contador da "História para ninar Cassul-Buanga” conta a história do menino e a sua própria história. Ele é autor e personagem, sujeito e objeto.

 

História para ninar Cassul- Buanga

(com acompanhamento de marimbas)

 

Um dia, Cassul - Buanga, alguns chegaram:

A pólvora no peito, uma bússola nos olhos

E as caras inóspitas vestidas de papel.

 

Vieram numa nau de velas caras,

Bordadas de cifrões.

Suas mãos eram de ferro

E falavam um dialeto

De medo e ignorância.

 

E fomos.

Amontoados, confundidos, fundidos, estupefatos

Nossas dignidades eram dadas mar atrás

Aos peixes.

Chegamos:

Nosso suor foi o doce sumo de suas canas

- nós bagaços.

Nosso sangue eram as gotas de seu café

- nós borras pretas.

Nossas carapinhas eram nuvens de algodão,

Brancas,

Como nossas negras dignidades

Dadas aos peixes.

Nossas mãos eram sua mão-de-obra.

 

Mas vivemos, Cassul. E cantamos um blues!

E na roda um samba

De roda

Dançamos.

 

Nossos corpos tensos

Nossos corpos densos

Venceram quase todas as competições.

Nossos poemas formaram um grande rio.

E amamos e nos demos.

E nos demos e amamos.

E de nós fez-se um mundo.

 

Hoje, Cassul, nossas mulheres

- os negros ventres de veludo -

Manufaturam, de paina, de faina

Os travesseiros

Onde nossos filhos,

Meninos como você, Cassul - Buanga,

Hão de sonhar um sonho tão bonito...

Porque Zâmbi mandou. E está escrito.

 

No poema, várias inversões e transgressões marcam a história que é contada "do lado de cá”. Estranhos eram os que estavam chegando, os portugueses com as suas parafernálias: bússola, roupas, mapas, armas...

Asegunda estrofe, descrevendo os navios, denuncia o sentido exploratório, ganancioso e brutal da expedição. Ao comentar a fala dos que chegaram, o poema traz uma imagem em espelhos, invertida. Os invasores "Falavam um dialeto / De medo e ignorância". Sabemos que o colonizador sempre julgou as expressões lingüísticas do colonizado como menores. — As línguas africanas sempre foram apresentadas como dialeto.

Laura Padilha, (1995) ao falar do olhar do colonizador sobre as línguas nacionais angolanas, aponta que:

 

O fato de serem tais línguas percebidas como bárbaras e/ou exóticas, na visão do colonizador, abre uma questão fundamental para este, ou seja, a imperiosa necessidade de dotar o colonizado de uma língua cristã, com a qual dilatassem, ao mesmo tempo, a fé e o império. “Civilizar o negro implica, necessariamente fazer dele um falante - o mais das vezes mau - da língua portuguesa. (p.11)

 

Em poucas palavras tudo foi dito sobre aqueles que chegaram eos versos "A pólvora no peito" e "suas mãos de ferro” metaforizam a violência da invasão colonizatória na África.

O primeiro verso da terceira estrofe indica, pela pessoa verbal, que o "griot" está contando a sua própria história. “E fomos”, nós, (sujeito oculto). O narrador também é personagem. Uma experiência autobiográfica dá o sumo da história. O narrador conta de dentro, como ator. A partir da terceira estrofe, pode-se observar que há uma constante e crescente voz que se pronuncia como “nós”, marcando o sujeito do discurso. (Talvez possamos dizer que, enquanto na primeira e na segunda estrofes, há um movimento de descrição, quando o poeta descreve a chegada dos invasores, nas estrofes subseqüentes, há um movimento de inscrição do poeta no poema).

Os poucos versos das três primeiras estrofes, doze somente, diante dos quarenta e um que compõem o poema, sugerem um movimento defensivo da memória que não se quer ater a determinadas lembranças. Da descrição dos invasores, nas duas primeiras estrofes, o poeta passa repentinamente para a descrição do aprisionamento no navio. A mudança rápida da cena narrativa inscreve as duas situações em um mesmo estado de comoção, “confundidos, estupefatos” pela invasão e pelo aprisionamento. Esse estado de comoção vai sendo apresentado gradativamente, até chegar ao clímax, “Amontoados, confundidos, fundidos, estupefatos”. A narração cobre desde a condição física dos africanos no navio, “amontoados”, até a descrição do estado moral em que se encontravam, “estupefatos”.

A terceira estrofe, também concisa, relata a viagem. É como se o poeta não quisesse rememorar, demorar nessa passagem histórica, comum aos povos da diáspora, marcada pela impotência, pelo desespero. O poeta foge desse relato, distanciando-se do “Navio Negreiro” de Castro Alves que, às vezes, chega a se assemelhar a um elogio da dor.

A partir da quarta estrofe, todo o espaço discursivo do poema traz a narração de vida dos africanos tornados escravos em terras brasileiras. O primeiro verso, “chegamos”, finalizado por dois pontos dá inicio a uma nova fala, a um novo relato. O poeta que, anteriormente, se havia inscrito na narração, continua reafirmando a sua posição de protagonista no/do discurso e na/da história. O contador/cantador da História para ninar Cassul-Buangatem em si as duas categorias de narrador proposta por Walter Benjamim (ou podemos pensar que ele está além das categorias propostas?) Ele tem a experiência de "alguém que veio de longe” (1985, p.198) trazendo um relato de viagem. Uma viagem, porém, que ele não empreende sozinho. Não é uma aventura solitária, mas uma travessia na companhia de outros malungos, compartilhando uma experiência coletiva que está sendo narrada para Cassul-Buanga. O “griot” ainda traz a narrativa da chegada e da permanência no novo ayêe cuja trama de desenrola no novo solo, no território formado a partir de seus corpos bagaços”. É um narrador que acumula a experiência da viagem forçada e traz também, no corpo-voz, o testemunho do homem que se fixou em um novo país, reterritorializando a sua cultura e como o "camponês sedentário” (de novo Benjamin,1985, p.198) conhece as histórias e tradições de seu povo, desde a terra antiga.

Os versos da quarta estrofe “Nosso suor foi o doce sumo de suas canas / - nos bagaços / Nosso sangue eram suasgotas de café / nós borras pretas/” e os outros, eloqüentemente, situam o corpo escravo e negro como ponto central de toda a economia colonial. As metáforas “borras pretas” e “bagaço” indicam, na medida exata, o que resta, o que sobra do corpo e da dignidade do africano e seus descendentes na sociedade escravocrata, Há um tom irônico e afirmativo da condição negra, na voz que denuncia. Ao se valer de um recurso estilístico, a antítese “brancas” e “negras” leva-nos a opor as carapinhas que relembram os algodoais cultivados pelos escravos e a dignidade dos africanos lançados ao mar, no momento da travessia. O último verso da estrofe: "nossas mãos eram a sua mão-de-obra”, metonimicamente descreve, o que significa cada mão escrava no quadro geral da escravidão.

A conjunção adversativa, que inicia a quinta estrofe, ressalta o fato dos africanos e seus descendentes terem conseguido retomar a vida apesar de toda oposição e de toda adversidade. O “griot” pode afirmar: “Mas, vivemos Cassul (...) Nossos corpos tensos / Nossos corpos densos / venceram quase todas competicões”. Construíram um mundo com seu trabalho e fizera, muito mais. Impregnaram o novo território com suas músicas, danças e expressões artísticas, e ofereceram, também, os poemas que "formaram um grande rio.” Afirma-se aqui, nesta estrofe, a condição humana do sujeito africano, que era visto e utilizado com res, coisa escrava.

O recurso estilístico, usado pelo poeta, o da repetição invertida dos versos: “e amamos e nos demos / e nos demos e amamos ./”, além de criar um ritmo forte, no interior do verso, enfatiza a existência de tal sentimento e atitude, no meio daqueles que viviam à mercê de um sistema desumano, que tentava descaracterizá-los como pessoas.

A presença também repetida da conjunção “é vai amalgamando amor e doação. (E amar e doar e doar e amar)." O resultado dessa entrega total é a gênese de um novo fruto, concebido a partir do africano e de seus descendentes, colocando-os em uma posição demiúrgica. "E de nós fez-se um mundo”. Os versos se desenvolvem, trazendo a parte triunfante da história; um tom de vitória, a marcar o epílogo que se aproxima. Cassul é invocado pela segunda vez, “Mas vivemos, Cassul". Épreciso chamar a atenção do menino.

O poeta, nessa estrofe, nos traz novamente alguns indícios da transversalização histórica da diáspora africana.

O africano, que chega aos Estados Unidos, e mais tarde os seus descendentes imprimem a sua voz na cultura musical americana, o blue. Fenômeno similar acontece no território brasileiro, onde será impresso o samba.

A anáfora existente nos versas, "E na roda um samba / de roda dançamos", retoma a roda, forma particular de se posicionar no espaço, e que é tão significativa nas culturas arcaicas tanto nas horas de lazer, como nos momentos religiosos e ainda alude ao próprio samba de roda, modo original de brincar o samba brasileiro.

Esta estrofe, indicadora de um heroísmo que não está centrado em um herói particular, mas na coletividade, no povo negro deixa transparecer o forte desejo de narrar uma épica. Os versos cantam orgulhosamente os vencedores; “Nossos corpos tensos / nossos corpos densos / venceram quasetodas as competições." Interessante observar que “griot” não elogia seu povo como super-herói, como vencedor imbatível; “ venceram quase todas...”e não todas as competições.

A sexta e última estrofe traz a memória do presente. Cassul é invocado pela terceira vez. A primeira vez foi invocado para tomar conhecimento de um passado distante "Um dia, Cassul-Buanga. alguns chegaram". Asegunda vez é apresentado, um passado distante, mas que trazia um tempo mais possível para o menino compreender e apreender. “Mas vivemos, Cassul. E cantamos um blues." A terceira invocação é oferecida como memória do presente: "Hoje, Cassul, nossas mulheres”. Ele é convocado para escutar a narração do “aqui e agora”. A fala do “griot” nesse momento traz as mulheres, destacando a atuação das mesmas no processo de existência-resistência. A metáfora designadora das mulheres, -“os negros ventres de veludo”, - fornece uma outra imagem da mulher negra, apaga a da mulher escrava violentada em seu corpo-objeto do sistema, como apaga também aquela imagem da mãe preta (tão elogiada por alguns poetas). Osvocábulos “veludo” e “paina” podem ser lidos dentro de um mesmo campo semântico relativo à maciez. — “os negros ventres de veludo / manufaturam, de paina, de faina”. A idéia de manufaturar remete a fabricar, a trabalhar, costurando o sentido com “faina”. Há uma antítese trabalhada no interior da estrofe, maciez e dureza, sonho e realidade. Interessante observar que são as mulheres que lidam e sonham. Elas constroem os travesseiros. São elas que possibilitam os sonhos e o futuro: “Manufaturam, de paina, de faina / os travesseiros / onde nossos filhos / meninos como você, Cassul- Buanga, / Hão de sonhar um sonho tão bonito... / porque Zâmbi mandou. E está escrito”.

Cassul-Buanga, no final da história, é convocado pela quarta vez. Nesta convocação é chamado para olhar ofuturo. Ele representa uma coletividade, todas as crianças. Quem deve continuar a narrativa é ele e os outros. O “griot” contou a “História para ninar Cassul-Buanga”. Uma narrativa para ninar e acordar. História que nina enquanto afago, alimento à dignidade da criança, mas também história de acordar ao falar à consciência do menino ouvinte. O “griot” recorda, traz de volta ao coração a saga de seu povo e, pela palavra, como se fosse um rito iniciático, inocula a sua memória na memória do menino.

Walter Benjamin diz que “o narrador é um homem que sabe dar conselhos”. (1985, p.200). O narrador da “História para ninar Cassul Buanga” afirma um futuro para o menino e sugere que este amanhã é competência da própria criança de sonhar e acreditar. Entretanto, relembra ao menino que ele não está sozinho. “Zâmbi mandou / E está escrito.” Está escrito na memória do tempo.

Nei Lopes, poeta, griot moderno, conhecedor também das tradições de seu povo, fazdo poema um lugar de gênese e de epifania para se construir eanunciar um mundo próprio emelhor. Cassul- Buanga, e todos os outros “hão de sonhar um sonho tão bonito”, porque está escrito no poema.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

ALVES, Miriam. “Mahin Amanhã”. In Cadernos Negros - Melhores Poemas, São Paulo: Quilombhoje, 1996. p.23.

BENJAMIN, Walter. O Narrador. In Magia e Técnica, arte e política, São Paulo: Brasiliense,1985. p. 198.

LOPES, Nei. Incursões sobre a Pele.Rio de Janeiro: Artium, 1996. p. 23.

PADILHA, Laura Cavalcanti. Entre voz e Letra.Niterói: EDUFF, 1995. p. 11.

SAID, Edward. Cultura e Imperialismo.São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 274.



*                Doutoranda em Literatura Comparada/UFF